Polônio - 210: o elemento mais radioativo?
- Principia Júnior
- 13 de fev. de 2022
- 3 min de leitura
Se você pesquisar no Google "Qual o elemento mais radioativo?", o polônio será destacado em vários resultados de busca. Mas será que ele é o mais radioativo? Se não, qual elemento é e por que o polônio aparece?

Descoberta
O elemento polônio foi descoberto em julho de 1898 pelo casal Pierre e Marie Curie. Juntos, estudavam a radiação presente em um minério de urânio, que era muito maior que aquela radiação existente em urânio metálico puro. Nas palavras do casal: "Acreditamos que a substância que recuperamos da pechblenda contém um metal até então desconhecido, semelhante ao bismuto em suas propriedades analíticas. Se a existência deste novo metal for confirmada, propomos que seja nomeado polônio em homenagem à terra natal de um de nós".
Propriedades
O elemento polônio possui 41 isótopos, sendo o polônio - 210 o isótopo predominante;
É um radionuclídeo que emite radiação ionizante de partículas alfa e radiação gama;
Está inserido na série de decaimento do Urânio - 238, sob a forma de 3 isótopos: polônios 218, 214 e o próprio 210. Portanto, é um radionuclídeo natural;
O tempo de meia vida do polônio - 210 é aproximadamente 138,4 dias.

Tempo Meia Vida

O tempo de meia vida é uma propriedade muito importante quando se estuda a radioatividade de um elemento. É definida como sendo o tempo necessário para que metade do átomos de uma amostra decaia. Este parâmetro define o quão instável é o núcleo de um elemento radioativo.
O Polônio - 210 é o elemento mais radioativo?
Sabendo-se que quanto menor a meia vida de um elemento, mais decaimentos irão ocorrer, e quanto mais decaimentos, mais atividade radioativa estará presente. Dito isso, o polônio - 210 não é o elemento mais radioativo.
Como dito, o tempo de meia vida do polônio - 210 é de 138,4 dias. Porém, ao se observar a série de decaimento do Urânio - 238, os outros dois isótopos de polônio (218 e 214) apresentam meia vida ainda menor!
Além disso, o isótopo Oganessônio - 297, um elemento não natural, apresenta meia vida igual a 0,89 milissegundos! Então exemplificando: uma amostra de 1g de Oganessônio - 297 decairia muito, mas muito mais rápido que uma amostra de 1g de polônio - 210, gerando radioatividade maior. Por vezes, o Oganessônio é apresentado como o elemento mais radioativo, visto seu curtíssimo tempo de meia vida.
Mas o elemento com menor meia vida conhecido pelo homem até os dias atuais é o hidrogênio - 7. Também é exclusivamente artificial e seu tempo de meia vida é de aproximadamente 23 yoctosegundos (2,3 x 10^-23 segundos)!!!
Por que o polônio é conhecido como o mais radioativo?
Sem dúvida alguma o polônio - 210 é um dos elementos mais perigosos existentes na natureza. Apesar das partículas alfa serem facilmente barradas, uma quantidade em microgramas de polônio é letal ao ser humano quando dentro do organismo. Mas provavelmente ele ganhou o título de elemento mais radioativo pelos algoritmos de busca devido intrigas políticas envolvendo mortes por envenenamento, como o caso da morte de um ex oficial da FSB (antiga KGB) Alexander Litvinenko.
Independente de qual seja o mais radioativo, fique longe destes elementos (se bem que tratando-se do hidrogênio - 7, não é muito difícil, né?).
Referências
Qual é o elemento mais radioativo? Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ut_VGVNvwcg>.
Qual o elemento mais radioativo? Disponível em: <https://quimicaresponde.proec.ufabc.edu.br/?p=311.
ANSOBORLO, Eric. Poisonous polonium. Nature Chemistry, Vol. 6: May, 2014.
KELECOM, Aphonse; et al. Contaminação Radioativa Humana por polônio - 210 Contido em Alimento de Origem Marinha. INAC. Santos, SP, 2005
HUNT, G.J; RUMNEY, H.S. The human alimentary tract transfer and body retention
of environmental polonium-210. Journal of Radiological Protection; 27: 405-426, 2007.
Escolhidos os nomes dos novos elementos da tabela periódica». Revista Pesquisa FAPESP., 2016. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/escolhidos-os-nomes-dos-novos-elementos-da-tabela-periodica-2/>.
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A. A. Korsheninnikov; et al. Experimental Evidence for the Existence of 7H and for a Specific Structure of 8He. Physical Review Letters, 2003. doi:10.1103/PhysRevLett.90.082501. Disponível em: <https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.90.082501.
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