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Doping nos Esportes

  • Foto do escritor: Principia Júnior
    Principia Júnior
  • 7 de ago. de 2021
  • 5 min de leitura

Você gosta de acompanhar as Olimpíadas? Sabe o que é doping e o porquê da Rússia não estar participando?


O que é Doping?

O Doping trata-se da utilização de substâncias ou métodos que podem potencializar o desempenho desportivo, prejudicando ou não a saúde do atleta. Esta prática é contra a ética esportiva, já que proporciona uma vantagem desonesta ao esportista que a utiliza.


Por que mesmo sabendo que é ilegal os atletas fazem uso de substâncias proibidas?

Desde a Grécia Antiga, observa-se que o desejo de superação está intrínseco à natureza humana, assim, os atletas muitas vezes ignoram seus próprios limites e empregam todos os meios disponíveis sem pensar nos riscos para si, para seus companheiros de equipe e para seus adversários. Um outro fator de grande relevância para tais atitudes são as imposições socioeconômicas, já que os atletas muitas vezes sofrem pressões familiares, midiáticas, econômicas e sociais; e os esportes podem representar uma chance de ascensão para os menos favorecidos.

A utilização da estricnina (encontrada em plantas do gênero Strychnos) e de cogumelos alucinógenos, ainda na antiguidade, são os primeiros casos conhecidos de dopagem e tinham como finalidade reforçar o estado psicológico dos atletas antes da competição. Acredita-se que o primeiro caso fatal que se tem conhecimento aconteceu em 1886, dez anos antes do início dos Jogos Olímpicos modernos, com um ciclista que havia utilizado speed balls (cocaína + heroína).


Substâncias Proibidas

Existem dez classes de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (AMA ou WADA em inglês), sendo elas proibidas em competição, a qualquer tempo e em alguns esportes:

  • Agentes Anabolizantes (a qualquer tempo)

  • Hormônios peptídicos e análogos (a qualquer tempo)

  • Beta-2 Agonistas (a qualquer tempo)

  • Hormônios e Moduladores Metabólicos (a qualquer tempo)

  • Diuréticos (a qualquer tempo)

  • Estimulantes (em competição)

  • Narcóticos (em competição)

  • Canabinóides (em competição)

  • Glicocorticóides (em competição)

  • Beta-bloqueadores (em alguns esportes)

Além disso, existem alguns métodos também proibidos pela AMA, sendo eles:

  • Manipulação do sangue e seus componentes;

  • Manipulação química e física;

  • Dopagem genética.

A seguir serão discutidos apenas as principais e mais comuns classes de substâncias proibidas.


Agentes Anabolizantes

Os agentes anabolizantes são a classe mais utilizada para dopagem, tendo como intuito aumentar a resistência, a capacidade de treinamento, o desempenho dos atletas e a massa muscular. Eles simulam a ação da testosterona.

O abuso de esteroides acarreta em diversos efeitos negativos, como por exemplo: tumores no fígado, disfunção hepática, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar, problemas cardiovasculares, desordens psiquiátricas, etc.



Estimulantes

Os estimulantes têm como objetivo aumentar o estado de alerta e diminuir a sensação de fadiga, aumentando sua competitividade e melhorando assim o desempenho do atleta, através de uma ação no sistema nervoso central. Alguns exemplos são: aminas simpatomiméticas (anfetaminas), cocaína e ecstasy.

O abuso de estimulantes gera diversos efeitos negativos, por exemplo: dores de cabeça, ansiedade, convulsão, falência renal, hipertermia, arritmia, etc.



Narcóticos

Os narcóticos têm como objetivo mascarar a dor, possibilitando que um atleta compita mesmo lesionado. Devido ao fato de não ajudar no desempenho, esta droga não é muito utilizada pelos atletas. Alguns exemplos são: morfina e seus análogos.

O abuso de narcóticos provoca diversos efeitos malignos, como por exemplo: depressão respiratória e dependência física e mental.






Diuréticos

Os diuréticos têm como objetivo mascarar outros agentes dopantes e principalmente, reduzir rapidamente o peso dos atletas pela remoção de água do organismo, através do aumento do fluxo urinário e da excreção de sódio. Esta funcionalidade é de grande ajuda para atletas classificados por categorias de peso, como o judô.

É indefinido os efeitos colaterais do uso abusivo de diuréticos, mas acredita-se que a perda de sais pode estar associada com problemas cardíacos.




Beta-bloqueadores

Os betabloqueadores têm como característica a redução de mãos tremulas (causados

por estresse) e a redução de taquicardia; acarretando em uma maior precisão, o que é de grande utilidade para atletas de arco e flecha, por exemplo. No entanto, o abuso de beta-bloqueadores pode gerar broncoespasmos em asmáticos e insuficiência cardíaca.



Controle de Doping

O controle de doping pode ser feito de duas formas, por amostras de sangue ou de urina, sendo a segunda a principal escolha, já que possui um meio de coleta fácil, baixas ou nenhuma chance de adulteração e por ser uma via de eliminação de fármacos no geral.

O processo inicia-se com a coleta de duas amostras de urina, uma no frasco A contendo 60mL e uma no frasco B contendo 30mL, posteriormente, as amostras partem para serem analisadas em um laboratório credenciado pela Agência Mundial Antidoping, onde inicialmente verifica-se o pH e a massa específica das amostras. Feito isso, a amostra B é guardado para caso seja necessária uma posterior confirmação do resultado analítico adverso; e o frasco A é imediatamente analisado. Estas análises são feitas por diversos métodos e setores, sendo eles: cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (detecção de esteroides anabolizantes), cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas (detecção de aproximadamente 400 substâncias proibidas pela WADA), IRMS (análise confirmatória de amostras suspeitas de abuso de um esteroide endógeno), passaporte biológico, detecção do hormônio Eritropoietina e detecção do hormônio do crescimento. Por fim, os diferentes resultados são consolidados e o resultado final é informado as autoridades de testagem.


A música pode ser considerada Doping?

A música até então não é considerada uma forma de doping, mas a muitos anos isso vem sendo debatido e pesquisado, devido ao fato de muitos estudos concordarem que ela traz benefícios positivos, como:

  • Melhora no desempenho do atleta em exercícios aeróbico e anaeróbicos;

  • Retardamento na sensação de fadiga;

  • Diminuição da frequência cardíaca;

  • Diminuição da concentração de lactato;

  • Diminuição da pressão arterial;

  • Estímulo do sistema nervoso simpático (músicas rápidas), gerando maior liberação de norepinefrina (ajuda na concentração e memória);

  • Ajuda psicológica ergogênica.

São pesquisas muito interessantes, já que em grandes competições, como nas Olimpíadas, diversos atletas utilizam-se da música antes ou durante a competição, como por exemplo na natação e no skate.


Banimento da Rússia por Doping

Um dos maiores casos de doping conhecidos é o da Rússia, onde como forma de punição, ela foi banida dos eventos esportivos até dezembro de 2022 devido ao grande escândalo de 2015, onde foram encontradas evidências de que a Rússia havia falsificado diversos testes de doping de seus atletas; fato este, que foi confirmado em 2019 pela WADA.

No entanto, em consideração aos atletas que provaram não estar envolvidos com o

doping, ficou decidido que estes podem disputar os campeonatos, mas não pode ter nenhuma menção ao país, sendo assim, os russos foram proibidos de utilizar o nome do país, a bandeira e o hino nacional. Para substituir tais perdas, adotaram o nome ROC (Comitê Olímpico Russo), um trecho do “Concerto para piano nº1”, de Tchaikovsky e uma nova bandeira.



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Referências:


  1. Comitê Olímpico do Brasil. Antidoping. Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/cob/antidoping#.

  2. Comitê Olímpico do Brasil. Conheça o laboratório brasileiro de controle de dopagem. Disponível em: https://youtu.be/_a-5kXfqpto.

  3. Comitê Olímpico do Brasil. Controle de doping. Disponível em: https://youtu.be/MdxErI5o0jI.

  4. FABBRI, Beatriz. Veja o significado de ROC nas Olimpíadas de Tóquio. Jornal DCI, Julho, 2021. Disponível em: https://www.dci.com.br/esporte/veja-o-significado-de-roc-nas-olimpiadas-de-toquio/158882/.

  5. MARTINS, André. Por que a Rússia foi banida da Olimpíada 2021 e o que é ROC? Exame, junho, 2021. Disponível em: https://exame.com/casual/por-que-a-russia-foi-banida-da-olimpiada-2021-e-o-que-e-roc/.

  6. NETO, Francisco Radler de Aquino. O papel do atleta na sociedade e o controle de dopagem no esporte. Rev Bras Med Esporte, vol. 7, nº 4, Jul/Ago, 2001.

  7. PEREIRA, Henrique Marcelo G.; PADILHA, Monica C.; NETO, Francisco Radler de Aquino. A química e o controle de dopagem no esporte. Coleção Química no Cotidiano, São Paulo, vol. 3, 2010.

  8. RAMIREZ, Andréa; RIBEIRO, Álvaro. Doping genético e esporte.

  9. Redação Ge. Banida por doping, Rússia adota nome "ROC" para disputar Olimpíadas de Tóquio. Globo Esporte, Rio de Janeiro, Fevereiro, 2021. Disponível em: https://ge.globo.com/olimpiadas/noticia/banida-por-doping-russia-adota-nome-roc-para-disputar-olimpiadas-de-toquio.ghtml.

  10. SÁNCHEZ, Sergio Abad. Influencia de la música en el rendimiento deportivo: Una revisión bibliográfica.

  11. World Anti-Doping Agency. Código Mundial Antidopagem: Lista Proibida – 2021. Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/documentos/download/559d2e6f27321/.




 
 
 

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